Dra. Tânia Cristina – Ginecologia Natural em São Paulo-SP

O corpo fala através da dor

Endometriose a doença que afeta milhoēs de mulheres

Existe uma pergunta que sempre faço às minhas pacientes:

“Em que momento a dor feminina passou a ser considerada normal?”

Porque, durante muitos anos, mulheres com dores intensas foram ensinadas a suportar. A seguir trabalhando. A continuar cuidando de todos. A acreditar que cólica incapacitante fazia parte de ser mulher.E talvez esse seja um dos maiores problemas quando falamos sobre endometriose: a normalização do sofrimento feminino.

Segundo a World Health Organization, milhões de mulheres convivem com a doença no mundo — muitas sem diagnóstico adequado por anos.

E o mais preocupante:nem sempre a intensidade da dor corresponde ao grau da doença.

Algumas mulheres possuem lesões extensas e poucos sintomas. Outras apresentam dores incapacitantes mesmo com alterações menores nos exames.Por isso, a endometriose precisa deixar de ser enxergada apenas como “uma cólica forte”.

Na prática clínica, muitas mulheres chegam ao consultório já exaustas. Não apenas pela dor física.Mas pelo impacto acumulado de anos convivendo com: fadiga,distensão abdominal,alterações intestinais, depressão,dor nas relações, sensação constante de exaustão

A endometriose não afeta apenas a pelve. Ela pode afetar identidade, autoestima, relacionamentos, produtividade e saúde emocional.

E é impossível olhar para essa mulher de forma superficial.

Hoje entendemos que reduzir a endometriose apenas a “parar de menstruar” é simplificar uma doença extremamente complexa.

A medicina moderna já reconhece que a endometriose é uma doença multifatorial, sendo assim bloqueiodo ciclo menstrual não deve ser o unico tratamento ofertado para a mulher.E talvez esse seja um dos maiores avanços no cuidado da mulher com endometriose:parar de olhar apenas para a lesão e começar a enxergar a paciente por inteiro.

## A inflamação silenciosa da endometriose

A endometriose é acompanhada por um ambiente inflamatório persistente.

Diversos estudos demonstram aumento de mediadores inflamatórios, alterações imunológicas e impacto metabólico associados à doença.

Hoje já existem evidências mostrando que estratégias integrativas associadas ao tratamento convencional podem auxiliar no controle inflamatório, na dor e na qualidade de vida de algumas pacientes.

## Dor feminina não pode ser negligenciada

Talvez uma das partes mais difíceis da endometriose não seja apenas a doença.Mas o tempo que muitas mulheres passam sem serem verdadeiramente escutadas.

Mulheres que escutam:

Isso é psicológico.” 

Você é forte, aguenta.” 

“Depois da gravidez melhora.” 

“Toda mulher sente dor.”

Não. Nenhuma mulher deveria sentir dor incapacitante.

A dor da mulher precisa ser investigada, respeitada e tratada com profundidade.

O tratamento da endometriose

Não existe fórmula pronta,afinal caada mulher possui:

-sintomas diferentes de intensidade diferente,

– histórico hormonal diferente metabolismo diferente

  • E respostas diferentes ao tratamento

Por isso, acredito profundamente na medicina que une:

– ciência

– escuta

– estratégia

– acolhimento

– tecnologia

– visão integrativa

Porque tratar endometriose não é apenas controlar o ciclo menstrual.

É devolver funcionalidade, energia, autoestima, feminilidade e qualidade de vida para a mulher.

E principalmente:é fazer com que ela deixe de sobreviver à dor para voltar a viver plenamente.